quarta-feira, setembro 06, 2006

Devo tomar testosterona?

Retirado da Gazeta mercantil

Há poucas semanas escrevi um artigo sobre "andropausa" masculina e muitos leitores escreveram solicitando que eu voltasse a falar sobre tratamento com hormônios. Hoje o assunto principal deste artigo será o tratamento de homens com "Distúrbios androgênicos do envelhecimento masculino (DAEM)". Só lembrando que o diagnóstico é baseado no quadro clínico típico, ou seja, diminuição do desejo sexual ou libido, disfunção erétil, fadiga e cansaço, perda de massa muscular, perda de pêlos, irritabilidade e mal-humor entre outros sintomas, associado ao quadro laboratorial com diminuição da dosagem de testosterona sanguínea. Desde a década de 1940 vem se falando em reposição hormonal no homem, mas o grande aumento no número de prescrições de medicamentos a base de testosterona ocorreu nos últimos 10 anos. Isso se deve ao aumento no número de homens diagnosticados com DAEM e talvez até pelo interesse das sociedades médicas e da indústria farmacêutica no tema. A minha experiência como especialista no ramo é bastante satisfatória. Quando indico a reposição hormonal, o homem se sente bem melhor e sempre volta para realizar novos exames, contar suas experiências e, principalmente, porque está interessado em sair da clínica com uma nova prescrição do medicamento. Diferentemente do que ocorre com a mulher, no homem nenhum estudo clínico bem conduzido conseguiu comprovar de que a reposição deverá ser realizada para fins preventivos. Até o momento, apenas indicamos a reposição de testosterona em homens com diagnóstico clínico e laboratorial de DAEM. Gostaria de esclarecer que a reposição hormonal do qual sou defensor em nada se compara ao uso abusivo de testosterona por jovens em academias esportivas espalhadas pelo País. Esta é uma forma criminosa do uso indevido do hormônio para fins puramente anabolizantes. São jovens que estão a procura do aumento da massa muscular para fins competitivos ou até mesmo, por narcisismo e acabam tomando doses muito acima dos níveis fisiológicos. Gosto sempre de frizar que este mau uso pode levar a seqüelas graves como infertilidade e eventos cardiovasculares, que muitas vezes podem ser irreversíveis. Outro fator bastante controverso e debatido é a possível associação entre a reposição de testosterona e o câncer de próstata. Gostaria de deixar bem claro que a administração de testosterona em homens com DAEM não causa câncer de próstata e já existem várias pesquisas clínicas que comprovam este fato. No entanto, caso o homem seja portador de um tumor maligno da próstata, mesmo que incipiente, este poderá progredir às custas da reposição. A minha mensagem e sugestão são que sempre que seja iniciada a terapia com hormônio masculino, deverá ser investigada sobre a possibilidade ou não da presença de câncer de próstata. Isso deve ser feito com a dosagem sanguínea de antígeno prostático específico (PSA), toque retal e em alguns casos, biópsia de próstata. Depois de afastada qualquer chance de ter câncer de próstata é que devemos iniciar a terapia de reposição. A reposição poderá ser feita de três maneiras: oral, transdérmico (pela pele) através de adesivos ou géis e intramuscular. A forma oral, por comprimidos, não apresenta resultados satisfatórios, pois a concentração do hormônio no sangue fica aquém do desejado. O sistema transdérmico apresenta resultados eficazes embora não há, no momento, nenhuma forma comercializada disponível no Brasil, apenas por manipulação. A apresentação que eu mais prescrevo aos meus pacientes é a injeção intramuscular. Recentemente, foi lançada no Brasil uma testosterona sintética administrada através de injeção intramuscular a cada 12 semanas (3 meses). É muito bem tolerada e os resultados, tanto clínico como laboratoriais, têm sido bastante satisfatórios. Os efeitos colaterais mais freqüentemente observados incluem: acne, aumento do número de células vermelhas no sangue (policitemia), alterações dos lípides sanguíneos, emocionais e do humor. Por esta razão, a reposição deve sempre ser realizada e monitorada por um médico especialista.

3 comentários:

Anônimo disse...

Oi, sempre me achei muito raquítico, tenho 1,60 e peso 50 kg, não tenho muitos músculos, e queria apenas que meu corpo tivesse mais forma. Gostaria que você me infomace se posso tomar testosterona. Se por acaso eu puder me indique que profissional devo procurar.
Agradeço desde já.

Anônimo disse...

estou com todos esses sintomas em que o doutor disse acima minha testos esta em 290 ml talves vou precisar tomar a testosterona.procurei um indocronologiata e, ele me pediu uma bateria de exame.valeu doutor pela dica e o site.

Anônimo disse...

Ola, sou mulher e estou querendo adquirir massa muscular. Qual seria o hormonio certo a tomar? sem precisa de prescriçao medico?